domingo, 13 de agosto de 2017

Ao homem da minha vida.


Vejo meu pai como exemplo a ser seguido. Tanto por mim, quanto pelo cara com quem quero me casar (porém, acredito que seja mais fácil eu chegar ao patamar dele porque achar um cara como ele é muito difícil). 

Meu pai é um herói. Não digo isso por ser filha dele mas por saber de toda sua trajetória de vida, sua inteligência e sua bondade. Nascido no interior do Rio, veio para capital aos 17 anos na cara e na coragem. Aprendeu muita coisa só na força de vontade e, hoje em dia, não há nada que ele não saiba fazer. Como não admirar um cara assim? 

Se eu preciso pregar um quadro na parede, meu pai faz. Se preciso consertar minha televisão a cabo, ele conserta. Instalou meu ventilador de teto, ar condicionado, trocou meu chuveiro queimado, me deu carona para minhas provas de concurso. Sempre acreditou em mim e me apoiou em todos os momentos. Se preciso de apoio financeiro, ele me fornece. Apoio moral? Também. Mas, com toda certeza, o melhor apoio de todos são os conselhos que ele me dá sobre a vida e sobre como ser uma pessoa honrada. 

Quando fui morar no RS e me vi tendo que fazer tudo dentro de casa, senti muito orgulho de saber que tinha herdado a eficiência dele. “Sou filha de Luiz Martins, é claro que eu vou conseguir fazer isso”, falava (e ainda falo) orgulhosamente a quem me desafiasse. Fico feliz quando me dizem que eu pareço com ele fisicamente, mentalmente, sarcasticamente. 

E os anos se passaram e aquele cara que dançava comigo no colo quando eu era criança para eu conseguir dormir virou o meu melhor amigo, meu companheiro de viagens, de passeios por zoológicos e de concertos de música clássica. Meu pai é meu herói, é o homem da minha vida. Só tenho a agradecer por tê-lo por perto sempre. Obrigada por tudo, pai! ♥

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Que belo estranho dia.

Ilustração de Agnes-Cecile. 

Dia 12/07, dia estranho. Ok. Talvez seja a tpm, a lua ou sei lá o quê, mas ontem foi um dia muito estranho. Eu comecei a questionar muito das opiniões nas quais acredito. E quando a gente começa a questionar, a gente começa a crescer. Até que ponto eu estou certa? 

Lula foi condenado, vai responder em liberdade, mas foi condenado. Ok. Eu achei que quando esse dia chegasse, eu ficaria feliz. Finalmente, houve justiça. Mas e os outros? Não que eu queira vê-lo em liberdade. Longe disso. Mas estamos vivendo uma crise política e moral tão grande que a prisão de um dos cabeças do movimento não significa muita coisa. Ainda há muito o que arrumar. O que adiantou eu esbravejar em redes sociais, brigar com amigos, discutir com a família? Meu salário continua atrasado, meu estado continua em uma crise seletiva em que muitos estão com defasagem de quatro meses de salário enquanto outros estão com o pagamento em dia. Pessoal está passando fome. Fome. Vocês sabem o que é isso? Não há discussão política que dê jeito na fome. Fico triste só de pensar, melhor eu mudar de assunto... 

Vi um vídeo de um ator que eu não simpatizava por achar arrogante. Eis que o vídeo era ele realizando o sonho de uma menina em estágio terminal do câncer. Ela faleceu, mas na pouca idade conseguiu realizar um grande sonho e foi ele, aquele ator que eu não simpatizava, quem realizou. Quem sou eu para julgar quem eu não conheço? O quanto mais de sonhos ele deve ter realizado? Que eu saiba olhar o outro com o mesmo carinho que eu gostaria que me olhassem. 

Duas da manhã, fiquei pensando em quantas das vezes eu senti raiva de uma atriz por não concordar com as opiniões políticas dela tão divergentes das minhas. Vi uma entrevista com ela e percebi o quão humana ela é, o quanto ela sente, chora e se estressa com pessoas agressivas que têm visões políticas mais parecidas com as minhas. Será que eu também já magoei alguém? Se sim, peço desculpas. Quando vi que seria ela no programa até pensei em desligar a televisão, mas decidi dar uma chance a alguém que pensa tão diferente de mim entrar na minha casa e me dizer o que sente. Acontece que ela não pensa tão diferente assim. Também estamos em lutas diárias para fazer valer nossa voz de mulher, de minoria, de ser pensante em uma sociedade que acha que temos que ser apenas seres bonitinhos. Quem sou eu para dizer como ela deve agir? Se eu não gosto quando me dizem como devo viver, por que faria isso com ela? Somos sobreviventes no mesmo país de canalhas. Quem diria que não seríamos tão diferentes assim, não é mesmo? Vivendo e aprendendo a viver. 

Quantos devaneios, quantos ensinamentos, quantas evoluções! Dia 12/07 foi um dia estranho. Um dia que eu me coloquei mais no lugar do outro, um dia que eu me senti mais humana. Um dia especial.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Da janela do ônibus.


Da janela do ônibus, vejo janelas de casas. Sempre gostei desse momento, imaginar como é a vida daquelas pessoas somente pelos objetos de suas salas, quartos, cozinhas que eu conseguia captar pelos segundos que o ônibus passava por suas casas. Seriam pessoas felizes? Satisfeitas? Sonhadoras?

Volto o olhar para dentro do ônibus. Tem uma senhora comendo um lanche do Habib's. Cheiro forte toma conta do lugar. O ar condicionado ligado não permite que ela abra a janela para o cheiro se esvair pelas ruas. Me distraio com o ambiente do lado de fora novamente. A Avenida Brasil e todas as suas histórias prontas para serem interpretadas.

Depois de um tempo, o cheiro da esfirra se vai e dá lugar para um perfume conhecido. Alguém entrou com o Nina da Nina Ricci. Lembro do meu aniversário de 2010, o primeiro em Porto Alegre, a segunda vez que eu viajei para lá. Nossa! Quanto tempo passou, quantas coisas mudaram desde então. Olha eu aqui, novamente, no Rio.

Começo a recordar dos bons momentos que eu tive na minha cidade, viajo em lembranças, pego a ponte e vou até Búzios. Me vejo boiando na praia do forno. Aquele momento ali, eu soube o que era plenitude. Um sol não muito forte e uma água muito quente. Inclusive, a praia do forno virou minha praia buziana preferida justamente pela quentura de seu mar. Ah! O mar! Como eu o amo! Aprecio cada momento em sua companhia, seja apenas para olhar as ondas, ou meditar nas águas. O mar tem um encanto, um mistério que me acalma.

Chego a Bangu, passo pela lona cultural que tanto visitei em minha adolescência rebelde e todos os shows e encontros roqueiros em que lá estive. O tempo passa rápido, não sou mais a mesma menina, mas continuo sonhadora, ainda um pouco rebelde, e muito romântica, a mesma ouvinte das mesmas músicas do rock.

Chego à casa dos meus pais. Grata por mais um dia que brevemente se tornará lembrança pela janela do ônibus.