quinta-feira, 13 de abril de 2017

Da janela do ônibus.


Da janela do ônibus, vejo janelas de casas. Sempre gostei desse momento, imaginar como é a vida daquelas pessoas somente pelos objetos de suas salas, quartos, cozinhas que eu conseguia captar pelos segundos que o ônibus passava por suas casas. Seriam pessoas felizes? Satisfeitas? Sonhadoras?

Volto o olhar para dentro do ônibus. Tem uma senhora comendo um lanche do Habib's. Cheiro forte toma conta do lugar. O ar condicionado ligado não permite que ela abra a janela para o cheiro se esvair pelas ruas. Me distraio com o ambiente do lado de fora novamente. A Avenida Brasil e todas as suas histórias prontas para serem interpretadas.

Depois de um tempo, o cheiro da esfirra se vai e dá lugar para um perfume conhecido. Alguém entrou com o Nina da Nina Ricci. Lembro do meu aniversário de 2010, o primeiro em Porto Alegre, a segunda vez que eu viajei para lá. Nossa! Quanto tempo passou, quantas coisas mudaram desde então. Olha eu aqui, novamente, no Rio.

Começo a recordar dos bons momentos que eu tive na minha cidade, viajo em lembranças, pego a ponte e vou até Búzios. Me vejo boiando na praia do forno. Aquele momento ali, eu soube o que era plenitude. Um sol não muito forte e uma água muito quente. Inclusive, a praia do forno virou minha praia buziana preferida justamente pela quentura de seu mar. Ah! O mar! Como eu o amo! Aprecio cada momento em sua companhia, seja apenas para olhar as ondas, ou meditar nas águas. O mar tem um encanto, um mistério que me acalma.

Chego a Bangu, passo pela lona cultural que tanto visitei em minha adolescência rebelde e todos os shows e encontros roqueiros em que lá estive. O tempo passa rápido, não sou mais a mesma menina, mas continuo sonhadora, ainda um pouco rebelde, e muito romântica, a mesma ouvinte das mesmas músicas do rock.

Chego à casa dos meus pais. Grata por mais um dia que brevemente se tornará lembrança pela janela do ônibus.

terça-feira, 14 de março de 2017

O frio.


O frio tem uma poesia a parte. 

Abro os olhos, são 5h da manhã. Odeio acordar cedo. Preciso de um tempo sozinha, refletindo se vale a pena sair da cama quentinha e encarar os 3°C de Canoas. Sim, vale a pena. Fui eu que escolhi essa vida. Esquento a água, tomo o chá. Queria um chimarrão, mas não dá tempo. De manhã, sou lenta. Fazer qualquer coisa se não da rotina me atrasaria. Tomo meu banho quente, me arrumo e vou. Torcendo para que tenha roda de chimarrão na escola. 

Chego ao ponto do ônibus ainda na madrugada escura, uma chuva fina insiste em passar pelo meu casaco potente que nunca seria usado no Rio de Janeiro. Sentada, sozinha, coloco Jonny Lang para ouvir, os acordes de guitarra e a voz doce dele me acalmam. Melancolia, chuva, frio, um conjunto de sensações que me dão um prazer inexplicável. O dia vai amanhecendo diante dos meus olhos. O ônibus chega, dou bom dia ao motorista, ao trocador e aos poucos passageiros que ali estão. 

Escola. Roda de chimarrão. Sim, sou uma das mais entusiastas dessas rodas. Sinal bate, mais um dia de muitas aulas pela frente. Primeira sala. Bom dia, pessoinhas! 

O frio tem uma poesia a parte.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A arte de fazer nada.


Hoje, eu tinha alguns planos, a dor de cabeça não deixou que eu os realizasse. Despeço-me do namorado que vai trabalhar e volto para cama. Minha gata sonha lindamente. Gatos sonham? Espero que sim, espero que ela tenha sonhos bons. Tenho que responder uma mensagem da amiga, mas acabo fechando os olhos e me entrego ao sono. Acordo com minha gata me pedindo comida, levanto, coloco a comida dela e observo o quão lindo aquele momento simples pode ser. Ligo a televisão para ver as notícias, carnaval e futebol ainda são os assuntos do momento. Achei que o ano começaria hoje. A dor de cabeça ainda está aqui. Deito com a gata que fica ronronando e pedindo atenção. Largo o celular, desligo a televisão e acaricio a cabeça dela. Ela dorme. Vários pensamentos vêm à minha mente e acabo me desconectando da realidade. Preciso levantar e agir. Preciso? Comida feita, louça lavada, roupa limpa, casa organizada. Por que temos essa necessidade de estar sempre em movimento? Me permiti um tempo com a gata, fiquei olhando a fofura dela ao dormir. Parece uma criança mudando de posição na cama. Queria que meu namorado estivesse aqui. Nossos momentos a três são a personificação da felicidade. Uma família diferente, mas uma família. Me deixo aproveitar mais um pouco desse momento. Na Itália, existe a expressão "dolce far niente", uma celebração de fazer nada, de aproveitar o momento presente com a simplicidade de apenas ser. A minha gata sabe como viver.